Uma
ex-funcionária da Fundação Casa – responsável pela internação de adolescentes
infratores em São Paulo – denunciou à Rádio Bandeirantes a adulteração de relatórios sobre o
comportamento dos menores. O esquema seria conhecido como "cota de
desinternação". "Tínhamos que fazer laudos. O diretor olhava o laudo
para ver se ele estava do jeito que queria. Ele arrumava palavra, colocava
outra". Desta forma, o jovem poderia ser liberado.
Segundo a
auxiliar-administrativa, que esteve na Fundação por 11 anos, frases como
"o menino não queria ir para a escola" eram modificadas. "O
diretor pedia para colocar 'frequenta aulas normalmente', 'participa de
atividades lúdicas'. O menino não queria participar e o diretor alterava. E
conta ponto ele frequentar as aulas”, relata a ex-funcionária.
"É muito ruim você, como profissional, ter que
alterar o laudo por causa do fluxo de entrada e saída", conta a auxiliar.
Ela afirma que ainda hoje o esquema acontece. "Na Fundação, é uma prática
normal. É uma máfia muito grande".
Resposta
À frente da Fundação Casa há oito anos, a presidente
Berenice Giannella, em entrevista à Rádio Bandeirantes, disse que não há nenhuma determinação
para liberar adolescentes em razão do fluxo de atendimento. "Prova disso é
que estamos com as unidades acima da capacidade, 15%, 20% a mais".
De acordo com Berenice, uma sindicância a respeito do
caso já havia sido aberta e está para ser concluída. "Mas nenhum deles
[funcionários] relatou nenhum tipo de pressão", aponta a presidente, que
pede para que a ex-funcionária faça uma denúncia, mesmo que anônima, à
Ouvidoria da Fundação. "É importante que ela faça a parte dela, faça sua
denúncia, para que a gente possa apurar uma situação que é anterior a minha
gestão".
Liberdade
O caso de um menor de 17 anos que bateu o carro após uma perseguição em
São Paulo na noite de ontem também foi comentando por Berenice.
Ele ficou na Fundação Casa por um mês em março deste ano. A presidente disse
que o adolescente ficou apenas alguns dias na instituição porque foi liberado
pela Justiça. "Para ele ter ficado um mês, ele foi solto pelo próprio juiz
do processo. Preso em flagrante, juiz tem 45 dias para proferir sobre o
caso".
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