sábado, 16 de novembro de 2013

Dirceu e Genoino embarcam de SP em avião da PF rumo a Brasília



O ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino, condenados pelo julgamento do mensalão, embarcaram na tarde deste sábado (16) do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, rumo a Brasília. A aeronave, um jato ERJ 145 da Embraer com capacidade para 50 pessoas, levará os condenados pelo julgamento do mensalão à capital federal, onde a Justiça indicará o local em que começarão a cumprir suas penas. Antes, o avião vai passar por Belo Horizonte para embarcar com outros sete condenados detidos na Polícia Federal mineira. Cinco agentes da PF acompanham  a operação.
Os réus da capital mineira passaram por exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) antes de pegarem o mesmo avião e, ao saírem de lá, foram hostilizados por uma pequena multidão que fez plantão no local.
Desde ontem os petistas estavam detidos na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Os dois se entregaram nesta sexta-feira (15) depois que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, expediu os primeiros mandados de prisão do caso. O esquema de compra votos na Câmara para aprovação de projetos do governo Lula foi revelado há oito anos e o julgamento iniciado em 2012.
Onze dos 12 réus condenados no julgamento do mensalão que tiveram mandados de prisão expedidos já se apresentaram à Polícia Federal. A exceção é o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolatto, condenado a 12 anos e sete meses de prisão no escândalo do mensalão que fugiu para a Itália, aproveitando a dupla cidadania.Já estão detidos pela PF José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, condenado a dez anos e dez meses de prisão; José Genoino, ex-presidente do PT, condenado a seis anos e 11 meses; Marcos Valério, operador do esquema, condenado a 40 anos de prisão; Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério, condenado a 25 anos 11 meses; Ramon Hollerbach, outro ex-sócio de Valério, condenado a 29 anos e sete meses; Romeu Queiroz, ex-deputado pelo PTB-MG, condenado a seis anos e seis meses; Simone Vasconcelos, ex-diretora da agência publicitária SMPB, condenada a 12 anos e sete meses; Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL, condenado a cinco anos; Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural, condenada 16 anos e oito meses; e José Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural, condenado a 16 anos e oito meses de prisão.

Embargo analisado em 2014

José Dirceu é um dos réus que terão os chamados embargos infringentes analisados pelo Supremo apenas em 2014. Mas, em decisão tomada na sessão da última quarta-feira (13), os ministros entenderam que era possível "fatiar" as penas desses réus para que as penas começassem a ser cumpridas imediatamente.
O embargo infringente é um tipo de recurso que garante um novo julgamento aos crimes em que a condenação foi obtida com placar apertado (ou seja, no mínimo 4 votos pela absolvição). A defesa de Dirceu entrou com embargo infringente para o crime de formação de quadrilha --em 2012, Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses por corrupção ativa e a 2 anos e 11 meses por formação de quadrilha (10 anos e 10 meses no total).
Ou seja, pela decisão da Corte, Dirceu já deve começar a cumprir a pena por corrupção enquanto espera o novo julgamento para a acusação de formação de quadrilha.
O STF concluiu que Genoino participou da organização do mensalão negociando acordos com os partidos que apoiaram o governo Lula e assinando alguns dos empréstimos do Banco Rural que ajudaram a financiar o esquema.
Em sua defesa, o deputado disse durante o julgamento que nunca tratou de dinheiro com outros partidos e que só assinou os contratos dos empréstimos por causa de sua posição como presidente do PT na época.
Ele foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão por corrupção ativa --por 9 votos a 1--, e a dois anos e três meses por formação de quadrilha --por 6 a 4.
As penas começam a ser cumpridas mais de oito anos após a revelação do esquema de corrupção. Em 2005, o então deputado federal Roberto Jefferson delatou a compra de apoio de parlamentares durante o primeiro mandato do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (2003-2006).

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