Manifestantes que ocupam
as galerias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro jogaram moedas em direção aos
vereadores que integram a CPI dos Ônibus, na manhã desta quinta-feira (5),
durante a segunda audiência da comissão.
A CPI foi criada para
investigar supostas irregularidades no processo de licitação das linhas de
ônibus do Rio, em 2010. As moedas lançadas em direção ao plenário não atingiram
os vereadores. Pelos menos 15 manifestantes acompanhavam os trabalhos na
Câmara.
O presidente da CPI,
Chiquinho Brazão (PMDB), solicitou que a segurança da Casa identificasse o
responsável pelo ato. Nesse momento, mais da metade do grupo se retirou do
local.
Dionísio declarou que
não houve irregularidades no processo licitatório e que não há indícios de
formação de cartel, o que gerou reações mais exaltadas entre os manifestantes
que estavam nas galerias.
O procurador-geral
encerrou o depoimento por volta das 11h10. As quatro pessoas que permaneciam
nas galerias aplaudiram ironicamente. "A sociedade agradece", gritou
uma delas.
Em reação aos gritos dos manifestantes, o relator da CPI, Uóston
(PMDB), ironizou o grupo dizendo ter certeza que eles também estariam presentes
em eventuais protestos contra a deputada estadual Janira Rocha (PSOL), envolvida
em um suposto de desvio de verbas para fins eleitorais.
Os manifestantes também
penduraram papéis cortados no formato de baratas com a mensagem "Político
Barata sai caro", em referência ao empresário Jacob Barata, conhecido como
o "Rei dos Ônibus" por gerir uma grande fatia do mercado de ônibus na
cidade.
Às 11h56, quando
advogado do consórcio terminou de falar com os membros da CPI, restava apenas
uma pessoa nas galerias do plenário.
Pouco após o meio-dia,
teve início o depoimento do presidente do Rio Ônibus (Sindicato das Empresas de
Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro), Lélis Marcos Teixeira. Ele pediu, e foi
atendido pelos membros da CPI, para fazer uma apresentação virtual sobre o
setor de transportes no município.
O presidente do Rio
Ônibus entregou uma série de documentos aos membros da CPI. "Estão aí os
nomes e os contratos dos 206 acionistas que participam da administração das 43
empresas, para dar maior transparência", afirmou Teixeira.
Segundo o representante
do sindicato, constam nos documentos atos constitutivos dos consórcios e das
empresas; a participação das empresas no sistema, por frota e por receita;
balanços dos consórcios; contrato de concessão dos consórcios; decisão do Cade
(Conselho Administrativo de Defesa Econômica); parecer do professor Miguel
Reale Jr., que foi ministro da Justiça, no governo Fernando Henrique Cardoso; e
decisões do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas sobre a existência de
cartel.
Além do presidente e do relator, compõem a CPI os vereadores
Jorginho da SOS (PMDB), Renato Moura (PTC) e Marcelo Queiroz (PP), que era o
segundo suplente e assumiu o lugar do vereador Eliomar Coelho (Psol),
proponente da comissão que se retirou na última semana. O vereador
Reimont (PT) era o primeiro suplente da CPI, mas também renunciou à
participação, assim como toda a bancada do partido na Câmara.
Primeira audiência teve sapatada e pancadaria fora da Casa
A primeira audiência da CPI dos Ônibus, que ocorreu no dia 22 de
agosto, foi marcada por confusões dentro e fora da Câmara. No decorrer do
depoimento do secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, uma
manifestante lançou um sapato em direção ao vereador Uóston,
relator da CPI. O objeto não o atingiu.
Já na parte externa, houve confronto entre um grupo de pessoas
que estava na Casa para apoiar os parlamentares peemedebistas e manifestantes
em geral, entre os quais "black blocs". A Polícia Militar prendeu 11
pessoas supostamente envolvidas na pancadaria. Dois deles eram funcionários eram
funcionários comissionados do governo do Estado e foram exonerados no dia seguinte.
Desde a licitação de
2010, o Rio de Janeiro é dividido em regiões e empresas de ônibus que são
agrupadas em consórcios para operar o sistema de transportes. O Santa Cruz, que
reúne nove empresas, atua em bairros da zona oeste da cidade.
Eles não concordam com
os rumos da comissão, que apesar de investigar os contratos da prefeitura com
os consórcios, agora é formada integralmente por parlamentares da base do
prefeito Eduardo Paes (PMDB).
Essa cpi dos ônibus sempre acaba em manifestação violenta! Pra quê ficar jogando moeda, gente? Quer dizer, pra que cpi??
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