quarta-feira, 4 de setembro de 2013

PF quer ouvir Snowden em investigação sobre espionagem no Brasil

A Polícia Federal quer ouvir Edward Snowden, o ex-técnico da NSA (Agência de Segurança Nacional) que vazou documentos secretos revelando que os EUA monitoram diferentes países, entre eles o Brasil.
Na avaliação dos agentes federais, que abriram inquérito para apurar as acusações de espionagem contra o Brasil, Snowden é a pessoa que mais pode colaborar com a investigação e indicar que tipo de dado sigiloso foi monitorado.
Depois de passar por Hong Kong e ficar mais de um mês na área de trânsito do aeroporto de Moscou, o norte-americano ganhou asilo na Rússia.
Para colher o depoimento de Snowden, a PF precisa que o Itamaraty faça a ponte com autoridades russas. Por ora, contudo, não houve nenhuma intermediação dos diplomatas brasileiros tampouco orientação do governo federal para viabilizar o encontro.
O Itamaraty diz ainda que não houve pedido formal da PF.
Snowden repassou cerca de 20 mil documentos sobre o esquema de monitoramento comandado pelos EUA ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald, responsável por divulgar parte da papelada, que indica até que a presidente Dilma Rousseff foi alvo da espionagem.
Na terça (3), integrantes da recém instalada CPI da Espionagem no Senado aprovaram pedido de proteção da Polícia Federal para o jornalista e o namorado dele, David Miranda, que mês passado foi detido quase nove horas no aeroporto de Londres e teve equipamentos apreendidos. Os dois moram no Rio.
A PF esclareceu que tão logo chegue o pedido do Senado, será feita uma análise técnica e emitido um parecer, para posterior decisão. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos também pode ser responsável por uma eventual proteção. Nesse caso, policiais estaduais seriam disponibilizados.
À Folha, o jornalista disse que não pediu proteção. "Nós não pedimos isso, mas aprecio muito o apoio que o Senado e brasileiros estão expressando. Quando o jornalista faz uma reportagem que o governo mais poderoso na mundo não gosta, claro tem riscos", afirmou Greenwald.


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