A Polícia Federal quer ouvir Edward Snowden, o
ex-técnico da NSA (Agência de Segurança Nacional) que vazou documentos secretos
revelando que os EUA monitoram diferentes países, entre eles o Brasil.
Na avaliação dos agentes federais, que abriram
inquérito para apurar as acusações de espionagem contra o Brasil, Snowden é a
pessoa que mais pode colaborar com a investigação e indicar que tipo de dado
sigiloso foi monitorado.
Depois de passar por Hong Kong e ficar mais de um
mês na área de trânsito do aeroporto de Moscou, o norte-americano ganhou asilo
na Rússia.
Para colher o depoimento de Snowden, a PF precisa
que o Itamaraty faça a ponte com autoridades russas. Por ora, contudo, não
houve nenhuma intermediação dos diplomatas brasileiros tampouco orientação do
governo federal para viabilizar o encontro.
O Itamaraty diz ainda que não houve pedido formal
da PF.
Snowden repassou cerca de 20 mil documentos sobre o
esquema de monitoramento comandado pelos EUA ao jornalista norte-americano
Glenn Greenwald, responsável por divulgar parte da papelada, que indica até que
a presidente Dilma Rousseff foi alvo da espionagem.
Na terça (3), integrantes da recém instalada CPI da
Espionagem no Senado aprovaram pedido de proteção da Polícia Federal para o
jornalista e o namorado dele, David Miranda, que mês passado foi detido quase
nove horas no aeroporto de Londres e teve equipamentos apreendidos. Os dois
moram no Rio.
A PF esclareceu que tão logo chegue o pedido do
Senado, será feita uma análise técnica e emitido um parecer, para posterior
decisão. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos também pode ser responsável
por uma eventual proteção. Nesse caso, policiais estaduais seriam
disponibilizados.
À Folha,
o jornalista disse que não pediu proteção. "Nós não pedimos isso, mas
aprecio muito o apoio que o Senado e brasileiros estão expressando. Quando o
jornalista faz uma reportagem que o governo mais poderoso na mundo não gosta,
claro tem riscos", afirmou Greenwald.
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