O
médico Carlos Jorge Cury Mansilla, que responde a 15 processos por complicações
pós-cirúrgicas, é um dos selecionados pelo programa Mais Médicos, do governo
federal, para atuar em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.
Ele se apresentou na segunda-feira (2) para assumir o cargo. No entanto, após
saber do histórico do profissional, o secretário de saúde da cidade, Willem
Madison, disse que vai rever a contratação.
“Ele não atendeu e nem vai atender aqui”, afirmou ao G1. A posse estava prevista para
quarta-feira (4).
Carlos Mansilla, que também é ex-deputado federal, é apontado
como falso cirurgião plástico pela Polícia Civil do Amazonas. Das 15 denúncias
realizadas oficialmente contra o médico, ele foi indiciado em seis por lesão
corporal gravíssima. Mansilla ainda pode ser acusado em outras nove, dependendo
do resultado de laudos do Instituto Médico Legal (IML), que ainda não foram
entregues à polícia.
O G1 tentou
contato com o advogado de Masilla, Cristian Naranjo, mas ele não atendeu às
ligações até a publicação desta reportagem.
Nesta
terça-feira (3), ao falar sobre o programa em Brasília, o ministro da Saúde,
Alexandre Padilha, disse que a pasta consultou o Conselho Federal de Medicina
para confirmar as suspeitas em relação a Mansilla. O ministério também vai
notificar o município de Águas Lindas para que o médico fique impedido de
trabalhar até que a avaliação da pasta seja concluída. “Confirmando essa
situação, certamente o excluiremos do programa”, disse o ministro.
O secretário de saúde de Águas Lindas de Goiás afirmou que “o município
não está interessado neste profissional”. Madison explicou que está tomando as
providências necessárias para evitar que o médico tome posse. “Vou comunicar ao
Ministério da Saúde que ele [Mansilla] não é de nosso interesse. Vamos fazer o
protocolo e entrar em contato por telefone”, informou.
Mansilla
é um dos quatro selecionados do programa para atender em Águas Lindas. Segundo
o secretário de saúde, apenas três se apresentaram na segunda-feira. “De quatro,
vieram três. Agora, já não podemos contar com mais um. Restam dois
profissionais para ajudar na cidade”, pontuou.
O secretário afirmou ainda que a situação o “entristece”. “A
gente fica triste porque sabe que o município é muito sofrido. Vamos olhar para
frente e dar a volta por cima em mais este problema”.
Willem Madison ressalta que vê com bons olhos o programa Mais
Médicos. No entanto, “o serviço tem que ser de qualidade”, ponderou.
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